Redução de vagas em concurso da Educação expõe descaso da gestão municipal com a rede pública
Das 300 vagas autorizadas por lei, apenas 100 foram publicadas no edital.
Uma reunião entre o SUPREMA e representantes da Secretaria Municipal de Recursos Humanos e Patrimoniais revelou, mais uma vez, o descompromisso da gestão municipal de Maracanaú com a educação pública. O encontro, que contou com a presença da secretária Vládia de Almeida Camurça, do secretário executivo André Aragão e do diretor de Gestão de Pessoas da SEDUC, Anísio de Farias, teve como principal pauta o concurso público da Educação — e trouxe à tona graves retrocessos.
O principal ponto de denúncia é a redução injustificável do número de vagas. Apesar de ter sido acordada, em mesa de negociação com o prefeito, a oferta de 300 vagas, e mesmo existindo lei autorizando a contratação da banca organizadora com esse quantitativo, o edital foi publicado com apenas 100 vagas. A decisão representa uma quebra de acordo, um desrespeito à negociação com a categoria e um ataque direto às necessidades reais da rede municipal de ensino, que enfrenta déficit histórico de profissionais.
Outro problema grave é a ausência de cadastro de reserva no edital, uma falha que compromete a continuidade do serviço público. A própria gestão reconhece que essa omissão pode gerar vacâncias caso candidatos aprovados não assumam os cargos, evidenciando improviso e falta de planejamento. Ainda assim, a resposta apresentada foi vaga: o tema “será analisado” pela comissão do concurso, sem qualquer garantia concreta de correção.
Também chama atenção a inexistência de cotas para pessoas negras, indígenas e trans, ignorando políticas de inclusão e diversidade já consolidadas no debate nacional sobre concursos públicos. O fato de esse tema ser adiado para uma futura reunião reforça a impressão de que a pauta dos direitos humanos segue sendo tratada como secundária pela gestão.
O cenário exposto demonstra que, longe de valorizar a educação municipal, o concurso público vem sendo conduzido de forma limitada, excludente e distante das reais demandas da rede. A redução de vagas, a falta de planejamento e a ausência de políticas inclusivas revelam uma postura que enfraquece as carreiras da educação e compromete a qualidade do ensino oferecido à população.
Diante disso, o concurso deixa de ser uma ferramenta de fortalecimento da educação pública e passa a simbolizar mais um capítulo de descaso administrativo, que penaliza profissionais, candidatos e, principalmente, os alunos da rede municipal.
