Vereadores aprovam vale-saúde de R$ 2.600,74 para eles próprios
A Câmara Municipal de Maracanaú (CE) se tornou alvo de intensa controvérsia após a aprovação, em 28 de janeiro de 2026, da Resolução nº 01/2026. A medida institui o “Programa de Assistência à Saúde Suplementar dos Vereadores”, garantindo a cada parlamentar um benefício mensal de até R$ 2.600,74, conhecido como “vale-saúde”. A decisão, aprovada pela […]
A Câmara Municipal de Maracanaú (CE) se tornou alvo de intensa controvérsia após a aprovação, em 28 de janeiro de 2026, da Resolução nº 01/2026. A medida institui o “Programa de Assistência à Saúde Suplementar dos Vereadores”, garantindo a cada parlamentar um benefício mensal de até R$ 2.600,74, conhecido como “vale-saúde”. A decisão, aprovada pela maioria liderada pelo vereador Raphael Pessoa Mota, gerou indignação por ocorrer em um momento de grave crise no sistema público de saúde do município.
Críticos apontam que o novo benefício representa uma duplicação de privilégios. Em novembro de 2024, a própria Câmara já havia aprovado a Resolução nº 05/2024, que criou a Verba de Desempenho Parlamentar (VDP) no valor de R$ 18 mil mensais. Esta verba já previa e permitia a cobertura de despesas com planos de saúde para os vereadores e seus dependentes. Com a adição do vale-saúde, os gastos com os parlamentares são elevados, somando-se a outros auxílios.
Atualmente, os custos totais de manutenção de cada vereador atingem patamares significativos, incluindo Salário (R$ 17.388,32), VDP (R$ 18.000,00) e Verba de assessoria parlamentar (R$ 47.054,51), totalizando mais de R$ 82 mil mensais por gabinete. Enquanto os representantes municipais garantem acesso facilitado à saúde privada por meio de benefícios custeados pelo erário, a população local continua a enfrentar sérios problemas no sistema público, como filas intermináveis em hospitais e postos, falta crônica de medicamentos e a demora excessiva para a realização de consultas e exames.
A aprovação do vale-saúde em meio à deterioração do serviço público municipal coloca em xeque as prioridades da gestão e intensifica o debate sobre o uso de recursos públicos. A sociedade civil e grupos de fiscalização aguardam um posicionamento oficial da Câmara que justifique a necessidade de duplicar um benefício já existente enquanto a crise sanitária na cidade se aprofunda, exigindo investimentos imediatos no Sistema Único de Saúde (SUS) local.
